terça-feira, 6 de abril de 2010

Estou triste...



Por tempo indeterminado ...

sábado, 3 de abril de 2010

Medos...


Quando pensamos em medos, inevitavelmente atribuímos desde logo uma conotação negativa. Ter medo de isto ou daquilo é muitas vezes uma barreira que nos impossibilita de dar o tal passo para atravessar a fronteira, como se fossemos um foragido em fuga permanente da autoridade que nos quer caçar, ficávamos assim engaiolados e nós claro, sentimos medo de estar presos. Então, medo por medo, optamos pela fuga pois mais vale esse medo do que o outro que nos asfixia e nos sufoca.
Ás vezes olho para as relações afectivas e em muitas delas também estão submersos muitos medos. Há pessoas que têm medo de vivênciar os afectos e as emoções que estão subjacentes ao fim de uma relação, como tal, optam por nem sequer chegar a vivê-la, evitando o medo de um fim que desde logo está anunciado. Há quem dê desculpas para não admitir os seus medos, arranje falsas justificações ou estratégias muito pouco convincentes, e que acham serem capazes de enfiar o barrete, aos outros, com a mesma facilidade com que o fazem consigo próprios.
Neste campo eu tenho medo de nunca vir a ser verdadeiramente amada, por quem eu ame incondicionalmente...até porque tenho medo de nunca conseguir vir a atingir esse estado. Tenho medo de lamentar profundamente que nunca chegue essa luz incondicional que fará alguém segui-la até junto de mim. Mas apesar de ter medo, não tenho medo de viver incondicionalmente a vida emocional, apesar de não gostar da ferida, da ressaca emocional não deixo que o meu medo me impeça de viver a plenitude de um amor. E até porque sei que são essas feridas e essas ressacas que me fazem amadurecer.
Sei que o medo aparentemente pode ser atenuado ou mesmo suprimido se percepcionarmos as coisas de uma forma diferente, isto é, a forma como percepcionamos e interpretamos as coisas em certa parte é o cerne da questão, fazendo desenrolar todo um processo que pode ter este ou aquele caminho. Mas se olhar para os meus medos como desafios e não como ameaças decerto que terei menos medo, e não me venham dizer que não gostam de desafios! Todos nós gostamos de nos superar.
Também há os medos rotulados de superficiais ou banais, mas que não devem ser de todo subestimados, porque de facto causam um enorme transtorno psíquico a quem sofre por eles, como: andar de avião, aranhas, locais fechados, elevadores, alturas, dormir no escuro,conduzir à noite...
Eu tenho alguns medos mais profundos, digamos que aqueles mais superficiais e comuns não tenho, não me considero uma pessoa medrosa, mas não vejo nisso um motivo de orgulho, é simplesmente uma componente minha, mais uma, que eu aceito!
Mas tenho medo de ser só mais uma gota num oceano imenso, mais uma partícula que existe no ar, mais um sopro que sopra assim só de rajada, fugaz, incrivelmente passageiro sem deixar rasto, como que se despenteasse alguém, mas passados uns segundos já estaria de novo com o seu penteado "xpto" e nem sequer se lembrava do que tinha acontecido. Tenho medo de não deixar lembranças, medo de não ter presença, medo que de facto passem bem sem mim e que a minha passagem pelas suas vidas acrescentou muito pouco ou nada. Tenho medo de não ter impacto nos outros, naqueles em quem eu quero realmente ter e medo de ser constantemente subestimada por quem eu mais quero que me enalteça (eu própria)! Tenho medo do vazio, daquele vazio atroz, desprovido de ...nada! Medo de viver e ter pouco para contar aos meus netos. Medo de folhear o meu álbum de vida e ter meia dúzia de fotos, amareladas, incompletas e pouco nítidas. Tenho medo de gritar bem alto as minhas emoções, sentimentos e ouvir apenas e só do outro lado o meu eco. Quero ouvir mais do que um eco. Tenho medo de parar no tempo e ficar sentada constantemente a analisar retratos do meu passado.
Tenho medo que se fartem de mim, que eu esgote a paciência de quem menos quero esgotar. De sentir que alguém sente repulsa de mim. Tenho medo de que não gostem de estar na minha companhia, que não apreciem o meu mundo interior, tenho medo da rejeição. Tenho medo da dor, não da física, mas da dor que causa sofrimento, mágoa e desilusão a alguém que me seja muito especial. Medo que não me perdoem, que não sejam compreensivos comigo, que concluam tudo assim de uma só vez sem ponderar os motivos que me levaram a reagir ou a estar assim. Tenho medo de pessoas intransigentes para comigo, que me anulem, que não me dêem uma segunda hipótese e me "despeçam" da suas vidas!

Enquanto isso e para enfatizar a coisa, vou olhando para a tatuagem que tenho no pé direito e dizendo em voz baixa interior para mim mesma: IO NON HO PAURA!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

quinta-feira, 1 de abril de 2010

1 de Abril

Acordei com vontade de fazer mais uma hora extra de sono. A cama que ocupo por inteiro, ainda que seja de casal, mas que apenas acolhe o meu corpo estava convidativa a permanecer imóvel envolvida pelos meus lençois de flanela e os meus múltiplos pensamentos habituais. Pareceu-me domingo, não havia o habitual frenezim na rua e o elevador do prédio estava bastante mais sossegado que o costume. Só me lembrei que era quinda feira, o dia de receber a Albertina, a minha querida ajudante que me tem mantido o T1 em aprumo e limpeza, mas de quem este mês vou dizer "adeus" pois em breve vou mudar-me e serei eu própria a governanta do fantástico T2 que me espera em jeito de varanda aberta para o "mundo" e para o mar.
Acedi ao televisor que tenho em casa e logo de rajada pensei:ora ai está a primeira mentira do dia! O Saviola é obrigado a parar 3 semanas devido a uma fissura no primeiro metatarso do pé esquerdo! Ohhh... isto não pôde acontecer, quando falta apenas 1 mês para terminar o campeonato e já só me imagino ir festejar para o estádio e dedicar este título ao meu avô João!
Mas ao que parece não é mentirinha nenhuma da comunicação social e o rapaz está mesmo lesionado.
Aproveito o dia das mentiras, para expressar o meu manifesto anti-não verdades!Sou pela verdade acima de tudo, sempre o fui e sempre o serei. Não digo que volta e meia não pregue uma mentirinha aqui ou outra acolá, mas é mais para justificar os meus atrasos matinais ou descartar-me de alguns eventos aos quais não estaria com vontadinha nenhuma de ir. Quanto ao resto sou muitíssimo verdadeira, leal, frontal e confiável.
Poderia hoje aproveitar este dia e descarregar aqui o gatilho e dizer uma série de verdades só para ser diferente dos que hoje em especial passam o dia a pregar mentiras inocentes e outras talvez nem por isso, mas ao invés disso fecho-me em copas até porque estou sem pilhas de força ânimica alcalina para expressar, como é meu hábito, tudo o que sinto e de peito aberto.

terça-feira, 30 de março de 2010

Tudo me acontece ...

Tudo me acontece...desta feita foi ter sofrido, esta manhã, um acidente de viação à velocidade de 5 kms/hora, numa das entradas de acesso à 2ª circular.
Se há coisa que eu implico solenemente são aqueles "piquenos", mas aparatosos acidentes de viação, chamados "toques" que logo pela manhã só servem para complicar mais o trânsito e atrasar quem tem um horário de entrada a cumprir...o que infelizmente é o meu caso!
Pois bem, lá ia eu na minha espécie de surdez matinal, apenas acompanhada pela música que estava no leitor de Cd, quando nisto me apercebo que tenho um opel corsa branco enfaixado literalmente na minha porta. Nele estavam duas criaturas de Deus, uma delas acabei por perceber que se chamava Ana Teresa e era a condutora do dito cujo e a senhora, sua mãe que a acompanhava no lugar do morto. As duas com cara de quem tinham enfaixado o Mercedes topo de gama num Jaguar a 100 Kms/hora, o que não foi de todo o caso. Afoita lá saíu do carro, e primeiro procedimento a ter: A Ana Teresa vestiu logo o colete, não vá o diabo estar à espreita que é a mesma coisa que dizer, a PSP "brigada de trânsito" e saltou logo para junto do local sinistrado para ver o desarranjo que havia provocado. Eu tive de alçar a pernoca ficando literalmente com travão a meio das pernocas para conseguir sair pela porta oposta e claro está, como é meu hábito, não vesti o colete, até porque é um XL e eu ainda visto um M. Ao verificar que o opel da Ana Teresa não tinha danificado o meu carro, fiquei mais descansada. A mãe da rapariga não saiu do carro, mas de janela aberta lá ia atirando uns comentários do género: «Eu bem te disse Ana Teresa que andas muito distraída"; «Olhe desculpe, é que a minha filha tem carta há pouco tempo!»
Eu só pensava, mais uma que lhe saíu a carta de condução na farinha Amparo e logo eu que tenho um Sebastian Loeb dentro de mim!
Lá fui dizendo, a jeito, que não havia problema algum, que os carros não tinham ficado danificados e que poderiamos seguir caminho. Nisto a Ana Teresa consegue surpreender-me aplicando o último "procedimento operandis" correcto que certamente aprendeu na escola de condução: a participação amigável!
O quê?
Ainda gastei uns quantos minutos a explicar-lhe que não havia necessidade de tal, enfim, a mim, tudo me acontece...